quarta-feira, 23 de março de 2011

O medo de se Expor - Osho



Porque eu ainda fico tão assustada ao me expor?


    "Deva Gita.

      Agora, de repente, expor a sua face verdadeira lhe dá um arrepio no mais profundo centro do seu ser. Uma tremedeira surge: as pessoas gostarão disso? as pessoas irão aceitá-la, as pessoas continuarão a amá-la e respeitá-la? quem sabe?Porque eles amavam a sua máscara, eles respeitavam o seu caráter, eles glorificavam o seu vestuário. Agora o medo aparece. "Se eu, de repente, ficar nu, eles irão continuar a me amar, a me respeitar, a me valorizar, ou todos eles irão fugir para longe de mim? Eles podem retornar para seus caminhos e eu posso ficar só."

      Ninguém consegue ser como um livro aberto. O medo toma conta: "O que as pessoas pensarão de mim?" Desde a sua infância foi-lhe ensinado a usar máscaras, belas máscaras. Não há necessidade de se ter uma bela face, só uma bela máscara é o bastante, e a máscara é barata. É árduo transformar a sua face, mas pintá-la é muito simples.

      Por trás de todo esse lixo e barulho da mente existe uma dimensão de completo vazio. Sem conhecer a verdade a pessoa é oca é um simples vazio e nada, sem conhecer a verdade. Ela quer esconder essa nudez, esse vazio, essa fealdade. Então ela cobre isso com belas flores e decora essa cobertura. Ela pelo menos finge que é alguma coisa, que é alguém. E isso não é algo pessoal para você. Isso é universal. Esse é o caso de todo mundo.

      Quem não fica? Expor-se cria um grande medo. É natural, porque expor-se significa expor todo o lixo que você carrega em sua mente, o lixo que tem sido amontoado por séculos, por muitas vidas. Expor a si mesma significa expor todas as suas fraquezas, limitações, falhas. Expor-se significa, por fim, expor sua vulnerabilidade. Morte... Expor a si mesma significa expor o seu vazio.

  E essa é uma das leis fundamentais da vida: tudo aquilo que você esconde, se for errado, continuará crescendo. Aquilo que você expõe, se for errado, desaparece, evapora ao sol, e se for correto será nutrido. Exatamente o oposto ocorre quando você esconde alguma coisa correta, ela começa a morrer porque não está sendo nutrida. Ela precisa do vento, da chuva e do sol. Ela precisa de toda a natureza disponível para ela. Ela consegue crescer somente com a verdade, ela se alimenta com a verdade. Pare de lhe dar seu alimento e ela começa a diminuir.

      Mas não perca esta oportunidade. Desta vez, morra conscientemente. Mas você tem que começar neste exato momento a viver conscientemente. Somente então você poderá morrer conscientemente. Mesmo que você consiga viver conscientemente por poucos anos, isso será o suficiente. Mesmo alguns meses ou mesmo alguns dias, se a intensidade for grande, mesmo alguns minutos serão suficientes para viver conscientemente. Então a pessoa se torna capaz de morrer conscientemente. E morrer conscientemente é ressuscitar numa dimensão totalmente diferente, a dimensão do que é divino, transcendental.

      Gita, exponha-se. Isso será um alívio. E eu estou aqui. Não fique preocupada e não tenha medo. Eu estou indo com você. Eu vou lhe fazer companhia até o ponto em que você não precise mais de mim. Eu só deixarei você no desconhecido quando eu sentir que agora você pode caminhar por si mesma. E aí não haverá mais medo.

      O inconsciente é uma criação da civilização. Quanto mais civilizado você for, mais inconsciente você será. Se você for absolutamente civilizado, você será um robô, você será absolutamente inconsciente. Isso é o que está acontecendo. Esta calamidade está acontecendo em todo o mundo. Isso tem que parar. E a única maneira de parar isso é ajudando as pessoas a colocar para fora os seus inconscientes  nas meditações.

      Lembre-se, uma pessoa que tiver qualquer repressão não poderá morrer conscientemente. A repressão cria o inconsciente. Quanto mais reprimido você for, maior o inconsciente que você tem. O que na verdade é o inconsciente? Ele é aquela parte de sua mente que fica de lado, é aquela parte de sua casa onde você nunca vai, o porão. Você vai atirando ali todo tipo de coisas e nunca você vai lá. (...)

      A vida é um longo caminho. Você pode adiar para amanhã e viver de uma maneira sem entusiasmo. Mas a morte é tão total... E se você puder morrer conscientemente... E você só pode morrer conscientemente se você se expuser totalmente, de modo que tudo o que o inconsciente estiver carregando seja colocado para fora, tudo o que o inconsciente estiver reprimindo seja liberado e assim o inconsciente se torna vazio e nada há para esconder. Você pode se expor no momento da morte e morrer conscientemente.

      Aqueles que conheceram a morte sabem que a vida é nada comparada a ela. A vida tem uma extensão, setenta, oitenta anos, ela se espalha por todos esses anos. Daí, ela não conseguir ter a mesma intensidade que a morte pode ter, e que somente a morte consegue ter, porque a morte acontece num momento. Por oitenta anos você vive e num momento você morre. A morte tem intensidade, não extensão mas intensidade. Ela tem profundidade.

      Não perca essa última fase da vida. E a última é a mais importante fase, porque ela lhe trará a morte. E se você conseguir morrer como verdade, você não nascerá novamente. Se você puder morrer com todas as falsidades abandonadas, com todas as falsas identidades desconectadas de você, renunciadas, se você puder morrer completamente nua diante da existência, absolutamente nua diante da verdade como uma criancinha diante de seus pais, a sua morte será a mais bela experiência que você jamais conheceu.

      Existe um provérbio na Índia: 'mesmo no final da tarde, quando o sol está se pondo, se alguém volta para casa, ele não é considerado perdido.' Ele chegou, finalmente ele chegou.

      Agora, o que você tem a perder, Gita? Você nada tem a perder e tem tudo a ganhar. Você foi afortunada por, na última fase de sua vida, ter entrado em contato com este campo de energia. Você foi afortunada pois no final da tarde de sua vida uma porta está aberta e a pessoa que volta para casa, ainda que no final da tarde, não deve ser considerada perdida.

      Quantos milhões de pessoas viveram na Terra? Ninguém nem mesmo sabe seus nomes agora. Na época em que elas viveram elas devem ter se gabado de suas personalidade, caracteres, força, verdade, coragem, religiosidade, santidade, e disso e daquilo. Agora, ninguém nem mesmo sabe os seus nomes. (...)

      Se você viveu por sessenta anos de uma maneira falsa, então chega! Já foi o bastante. Já é hora de abandonar toda essa falsidade. O que as pessoas podem tirar de você agora? Mais cedo ou mais tarde você vai estar morta e todo o respeito, todo o caráter, tudo irá se perder e logo você será esquecida. Algumas poucas pessoas irão se lembrar de você por uns poucos dias, e depois elas irão morrer. Então, até mesmo a sua memória vai desaparecer da Terra. (...)

      A mente lhe dará todas essas razões astutas, essas racionalizações.

      Depois de sessenta anos de vida, a ideia simplesmente surge em sua mente: 'você já aguentou tanto tempo, por que você não pode aguentar alguns dias mais? Por que criar perturbações? Por que criar agitações desnecessariamente?' As coisas estão acomodadas, todo mundo respeita você, as crianças, o marido, toda a sociedade respeita você. Tem sido uma luta árdua, uma luta com o mundo externo e com o mundo interno. De alguma maneira você reprimiu tudo aquilo que era selvagem dentro de você. Você reprimiu  sexo, raiva, ambição, inveja; você reprimiu tudo o que a sociedade condena. Você, de alguma maneira, desenvolveu um belo caráter. Agora, na última fase de sua vida, por que expor isso? Com que objetivo? O que você vai ganhar com isso?

      É melhor ficar quieto, diz a mente. É melhor não trazer todos os velhos fantasmas, não liberá-los. É melhor deixá-los sentados lá. Por sessenta anos você tem sido capaz de  manter uma certa conduta, uma certa graciosidade, uma certa personalidade - polida, civilizada, respeitável - agora, de repente, expor-se sem qualquer razão? Você ficou maluca? A mente lhe dirá: 'você já aguentou tanto tempo, você pode aguentar um pouco mais.' (....)

      Você pode ter sido bem sucedida ao contar muitas mentiras e espalhando tais mentiras como verdades. Você pode ter sido bem sucedida e, para os outros, aquelas mentiras são quase verdades agora, e mesmo para você. Agora, voltando lá atrás e olhando de novo, é muito natural ficar com medo e não querer olhar para trás e não voltar àqueles pesadelos. (...)

      Você pode não ter sido fiel ao seu marido uma vez ou outra, mas você foi capaz de manter uma certa face de sinceridade e de fidelidade. Agora, expor-se desnecessariamente vai lhe criar medo. Você pode não ter sido fiel, mas qual é a razão de expor isso agora? Ou você tem sido leal em ações mas não em pensamentos. Mas, qual é a razão de expor isso? A mente lhe dirá: 'Não há qualquer necessidade! Já existem tantos problemas, porque criar mais um?'

      Todo o meu trabalho é para, de alguma maneira, persuadir você, seduzir você, desse jeito ou daquele, para que abandone a velha identidade. Muitos medos virão. Muitas coisas você fez no passado e foi capaz de esconder com sucesso. Agora, sem qualquer propósito, de novo abrindo os capítulos fechados, os espaços fechadas e liberando os fantasmas do passado...

      Se você colocar em risco o falso, a verdade poderá ser sua. E ela vale isso, porque você coloca em risco apenas o falso e ganha a verdade. Você nada arrisca e ganha tudo.

      Você nunca alcançará uma outra identidade. A sua velha identidade terá ido embora e, pela primeira vez, você começará a sentir-se como uma onda no oceano de Deus. Isso não será uma identidade porque você não estará ali. Você terá desaparecido. Deus terá se apoderado de você.

      Exponha pouco a pouco, não há qualquer necessidade de você dar saltos que você não possa administrar. Vá passo a passo, gradualmente. Mas logo você irá descobrir o sabor da verdade e você ficará surpresa de que todos esses sessenta anos foram puro desperdício. Sua velha identidade será perdida e você terá uma concepção totalmente nova.

Não será, na verdade, uma identidade mas uma nova visão, uma nova maneira de ver as coisas, uma nova perspectiva. Você não será capaz de dizer "Eu" novamente, com alguma coisa por trás. Você usará essa palavra porque ela é útil, mas você estará sabendo todo o tempo que a palavra não carrega qualquer significado, qualquer substância, definitivamente qualquer substância existencial. Por trás desse "Eu" está escondido um oceano infinito, vasto e divino.

      O medo é natural. Não o condene e não sinta que ele é algo errado. Ele é apenas parte de toda essa educação social. Nós temos que aceitá-lo e ir além dele. Sem condená-lo, nós temos que ir além dele.

      Por cinqüenta, sessenta anos, você tem sido um certo tipo de pessoa. Agora a Gita deve estar atingindo os sessenta. Por sessenta anos você tem sido um certo tipo de pessoa. Agora, nesta última fase de sua vida, abandonar aquela identidade e começar a aprender a respeito de si mesma desde o ABC é assustador.

 A cada dia a morte está se aproximando mais. Será esse o tempo para aprender uma nova lição? Quem sabe se você será capaz de completá-la ou não? Quem sabe? Você pode perder a sua velha identidade e pode não ter tempo suficiente, energia suficiente, coragem suficiente para alcançar uma nova identidade. E, nesse caso, você iria morrer sem uma identidade? Isso será uma espécie de loucura, viver sem uma identidade.

O coração desmonta e se encolhe. A pessoa pensa: "Agora, tudo bem levar isto adiante por mais alguns dias. É melhor viver com o velho, o que é familiar, o seguro e conveniente." Você se torna competente para lidar com isso. E isso foi um grande investimento: você colocou sessenta anos de sua vida nisso. De alguma maneira você administra isso, de alguma maneira, você criou uma ideia de quem você é, e agora eu digo a você para abandonar tal ideia porque você não é isso. Nenhuma ideia é necessária para conhecer-se. Na verdade, todas as idéias têm que ser abandonadas, somente então você poderá saber quem você é.

      Mas o medo é natural porque desde o início da infância, lhe foram ensinadas falsidades e você se tornou tão identificada com o falso que abandoná-lo quase parece cometer suicídio. E o medo surge porque uma grande crise de identidade aparece.

      Uma vez que você esteja pronta, corajosa e desafiadora; uma vez que você tenha experimentado a liberdade da verdade, a liberdade de expor a sua realidade, você poderá seguir por si mesma. Você conseguirá ser uma luz para si mesma.

      Somente no começo, Gita, haverá medo. Por isso a necessidade de um Mestre, para que no começo ele possa segurar suas mãos, para que no começo ele possa lhe dar suporte, para que ele possa levar-lhe a dar alguns passos com ele. O Mestre não é um psicanalista. Ele é muito mais. O psicanalista é um profissional e o Mestre não é um profissional. Não é sua profissão ajudar as pessoas, é a sua vocação, é o seu amor, é a sua compaixão. E por causa dessa compaixão ele a conduz apenas o tanto que você precisa dele. No momento em que ele sente que você pode ir por si mesma, ele começa a soltar as suas mãos. Embora você  quisesse continuar agarrada, ele não pode permitir isso.

      A personalidade é falsa e a individualidade é substancial. A personalidade é simplesmente uma fachada e a individualidade é a sua verdade. A personalidade lhe é imposta de fora, é uma persona, uma máscara. A individualidade é a sua realidade, ela é como Deus a fez. A personalidade é uma sofisticação social, um polimento social. A individualidade é crua, selvagem, forte e com tremendo poder.

      Se você continuar se expondo.... No começo vai ser ser realmente muito assustador, mas logo você começará a ganhar força porque uma vez que a verdade é exposta, ela se torna mais forte e a não verdade morre. E com a verdade tornando-se mais forte, você se tornará mais enraizado e centrado. Você começa a se tornar um indivíduo. A personalidade desaparece e o indivíduo aparece.

      Se você conseguir expor-se religiosamente, não na privacidade, não com seu psicanalista, mas simplesmente em todos os seus relacionamentos, isso é o que significa o sannyas. Isso é auto-psicanálise. Isso é vinte quatro horas de psicanálise, todos os dias. Isso é psicanálise em todo tipo de situação: com a esposa, com o amigo, com os parentes, com o inimigo, com o estranho, com o chefe, com o seu funcionário. Por vinte e quatro horas você está se relacionando.

      E as pessoas estão acabando com aquilo que é real nelas e reforçando aquilo que não é real. A sua face não verdadeira se alimenta com mentiras, por isso você tem que continuar inventando mais e mais mentiras. Para dar sustentação a uma mentira você terá que mentir cem vezes mais, porque uma mentira só pode ser sustentada por mentiras ainda maiores.

Assim, quando você se esconde atrás de fachadas, o real começa a morrer e o não real prospera, torna-se mais robusto. Se você se expuser, o não verdadeiro irá morrer, ele estará pronto para morrer, porque o não verdadeiro não consegue permanecer no aberto. Ele consegue permanecer apenas em sigilo, na escuridão, nos túneis da sua inconsciência. Se você o trouxer à consciência, ele começará a se evaporar.  (......)"

OSHO - The Guest

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Meditação é Transformação - Osho

Se você sentir muita resistência contra a meditação, isso simplesmente mostra que bem lá no fundo você está alerta para o fato de que algo irá acontecer e mudar toda a sua vida. Você tem medo de renascer. Investiu muito em seus velhos hábitos, na antiga personalidade e na velha identidade.

Meditação é apenas limpar o seu ser, tentar tornar-se jovem e saudável, tentar tornar-se mais vivo e mais alerta. Se você tem medo da meditação, isso significa que você tem medo da vida, que você tem medo da consciência alerta; e a resistência vem, porque você sabe que, se você se mover para dentro da meditação, algo fatalmente acontecerá.

Se você absolutamente não estiver criando resistência, isso pode ser porque você não leva a meditação muito a sério, você não toma a meditação muito sinceramente. Então, você pode brincar — o que há a temer?

Osho, em "O que é Meditação?"


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terça-feira, 22 de março de 2011

Transmutando Transformando - Osho

O mundo todo está nas garras de uma insanidade longamente adiada. Estivemos adiando e adiando e, agora, o último grau, o grau de evaporação, chegou.

Há agora somente duas possibilidades: uma é que a humanidade venha a cometer um suicídio coletivo, porque esta insanidade não mais pode ser acumulada. As religiões contribuíram, os moralistas contribuíram, os professores contribuíram, os assim chamados grandes homens contribuíram para tornar o homem cada vez mais e mais insano. E agora chegou o ponto final, onde podemos cometer um suicídio coletivo através das bombas atômicas ou das bombas de hidrogênio ou de qualquer outra coisa.

O homem como é não pode ser tolerado sobre a terra agora. Tornou-se intolerável. E junto com ele, ele está matando toda a terra. Não apenas ele é um suicida; ele se tornou assassino. Ele está matando tudo. O homem está matando tudo sobre a terra. Não há nada vivo que ele goste agora: somente coisas mortas o atraem. E quanto mais mortas, melhor, porque, então, pode-se possuí-las, manipulá-las.

Assim, ele está matando a natureza e tudo sobre a terra. Ele não pode ser tolerado, e sua própria insanidade interior está levando-o ao ponto de evaporação. Devido a isso, a hora está chegando cada vez mais e mais perto. E no mundo todo, aqueles que pensam e aqueles que sentem e aqueles que sabem, estão em busca de métodos, arquitetando métodos, para ajudar a humanidade a transcender a loucura. Esse é o único modo.

Ou o homem cometerá suicídio, ou o homem dará um salto para reinos mais elevados do ser. Se essa transformação não vier, então, nada pode ser feito: o homem cometerá suicídio. Eis por que por todo o mundo as energias espirituais estão se juntando, as forças espirituais estão se reunindo, muitos grupos esotéricos estão trabalhando. E às vezes pode não ser tão óbvio, mas lá no fundo, no próprio centro da mente humana... As línguas diferem, os caminhos diferem, as abordagens diferem, mas em todo lugar há um tatear em busca de algo que possa tornar-se uma alquimia para mudar a humanidade.

Osho, Meditation, The Art of Ecstasy.

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terça-feira, 15 de março de 2011

A vida não acontece para pessoas mornas - Osho

Por que tantas pessoas parecem tão obtusas, tão entediadas, simplesmente levando a vida de qualquer jeito? Desperdiçando um tempo imensamente valioso que nunca serão capazes de recuperar - e desperdiçando com tal tédio, como se estivessem esperando a morte.
O que aconteceu com essas tantas pessoas? Por que elas não têm o mesmo frescor que as árvores? Por que o ser humano não tem a mesma canção que os pássaros? O que aconteceu com os seres humanos?

Aconteceu uma coisa: o ser humano imita os outros, tenta ser como outra pessoa. Ninguém está em casa; todos estão batendo à porta de uma outra pessoa; daí o descontentamento, o tédio, o embotamento, a angústia.

Uma pessoa inteligente tentará ser apenas ela mesma, seja qual for o custo. Ela nunca copiará, nunca imitará, nunca será como um papagaio; ela escutará sua própria chamada intrínseca, sentirá seu próprio ser e caminhará de acordo com ele, seja qual for o risco.

Há risco! Quando você copia os outros, há menos riscos. Quando você não copia ninguém, você está sozinho - há risco! Mas a vida acontece somente para aqueles que vivem perigosamente, para aqueles que são aventureiros, corajosos, atrevidos - a vida acontece somente a eles. A vida não acontece para pessoas mornas.

Osho, em "Inteligência - A Resposta Criativa ao Agora"

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domingo, 13 de março de 2011

Fotos do Osho in Sampa no Carnaval

Posted by Picasa

Vunerável e Forte - Osho

Há pessoas que se sentem fortes somente quando não estão vulneráveis, mas essa força é apenas uma fachada, uma camuflagem. E há pessoas que são vulneráveis, mas se sentem fortes.

Aqueles que se sentem fracos quando estão vulneráveis, não podem se sentir vulneráveis por muito tempo: mais cedo ou mais tarde essa fraqueza os deixará com tanto medo que eles se fecharão.

Assim, a abordagem correta é se sentir vulnerável e forte. Então, você poderá permanecer vulnerável, a cada dia sua força crescerá e você ficará corajoso o bastante para se tornar cada vez mais vulnerável.

A pessoa realmente valente está absolutamente aberta — esse é o critério da coragem. Somente o covarde está fechado, e a pessoa forte é tão forte como uma rocha e tão vulnerável como uma rosa. É um paradoxo, e tudo o que é real é paradoxal.

Lembre-se sempre: quando você sente algo paradoxal, não tente torná-lo consistente, porque essa consistência será falsa.

A realidade é sempre paradoxal: por um lado, você se sente vulnerável; por outro, se sente forte — isso significa que um momento da verdade chegou. Por um lado, você sente que nada sabe; por outro, sente que sabe tudo — um momento da verdade chegou.

Por um lado, você sempre sente um aspecto e por outro, o aspecto exatamente oposto. E quando você tem ambos os aspectos juntos, lembre-se sempre de que algo verdadeiro está muito próximo.

Osho, em "Osho Todos os Dias — 365 Meditações Diárias"

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sábado, 12 de março de 2011

O que é Tantra?

A palavra TANTRA vem do sânscrito, idioma antiqüíssimo que foi o berço das escrituras. É composta da fusão de duas palavras TANOTI e TRAYATI, a primeira significa "expandir" e a outra "liberar". Implicando em expandir e liberar a consciência, o espírito e a energia potencial física, mental, emocional e espiritual do ser humano. O TANTRA enfoca o ser humano e sua evolução, o aprimoramento da qualidade de vida e a expressão progressiva e sistemática de todos os aspectos do indivíduo.

Sua origem geográfica é totalmente desconhecida, o TANTRA já formou as bases de inúmeras civilizações no passado e foram as que nos deixaram vestígios mais marcantes em termos de aprimoramentos do ser humano. O vasto compêndio dos conhecimentos tântricos abriga ensinamentos, técnicas, métodos, práticas, eventos, rituais, mitologia, símbolos, códigos, textos, artes, etc.

A yoga que se conhece hoje é uma pequena parte deste conteúdo, em contraste com as yogas do passado que eram védicas e não tântricas. Na verdade quem pratica yoga, pratica TANTRA. Portanto não existe TANTRA YOGA, existe TANTRA! Conhecimentos tântricos afloraram de forma sistemática de nove mil anos para cá em diversas partes do mundo e, quando são autênticos, possuem um elo em comum e uma continuidade de uma cultura para outra por se tratar de algo que lida com princípios universais da humanidade, tais como saúde sexual, autoconhecimento, paz interior, sabedoria, meditação e amor.

Há vestígios do TANTRA nas culturas pré-colombianas, egípcias, europeia, africanas, australianas, atlântida e principalmente asiática. Os vestígios do conhecimento tântrico em todas as culturas são muito fragmentados e apenas em alguns poucos locais do mundo, como em alguns lugares da Ásia, em destaque a Índia, podemos encontrar o TANTRA de uma maneira mais linear, útil e prático.TANTRA, ou KULAMARGA, como também é chamado (caminho da família), na prática se define por tudo aquilo que possui a figura humana como base de atividade.

A construção, manutenção e transformação do universo inteiro e todas as suas dimensões a partir do elemento humano é TANTRA! Só há um ser que transforma a natureza destrutiva do homem na natureza construtiva e que agrega, este é o praticante do TANTRA ou de KULA e começa por fazê-lo em si mesmo. Inúmeras religiões tradicionais abrigam técnicas do TANTRA para seus propósitos espirituais, tais como no hinduísmo (que não é uma religião, mas uma porção variada), no budismo, no jainismo e em outras.

O fator que vem tendo destaque na busca e popularização do TANTRA no mundo ocidental moderno e com assombrosa velocidade é o fato que no TANTRA encontramos o conhecimento e meios para se evoluir de maneira física, mental, emocional e espiritual fazendo uso do sexo, este desconhecido do ser humano moderno. Sabe-se mal como efetuar a procriação, obter-se prazer genital com o sexo, mas para se obter o orgasmo pleno - via não-ejaculação (para os homens), evoluir, curar, crescer, unir corpo ao corpo, mente à mente e espírito ao espírito (ou expressar sua unidade - unyo mystica), é uma novidade sofisticada e uma iguaria rara para os ocidentais modernos.

O TANTRA possui técnicas de educação e ensinamentos sexuais que não se encontram em nenhuma outra fonte e as que possuem isto derivaram seus conhecimentos do milenar veio tântrico ou KULIKA. A energia sexual, sua transformação em força mística e espiritual e o uso para a construção, reconstrução, manutenção e transformação do universo manifesto é possível com o devido conhecimento do TANTRA.

O uso prático e sofisticado da energia sexual, energia esta que é responsável pelo advento da vida é também a mãe do autoconhecimento mais profundo.Podemos unir os pares opostos no corpo, com o corpo, com o nosso único corpo físico ou com outro, na união física. Quando o fazemos de forma solitária temos um conjunto de técnicas e quando a união de Shakti com Shiva é a dois, temos outro conjunto de práticas.

No TANTRA, as escrituras, iniciações, práticas e conceitos de união Shakti com Shiva é feita de forma solitária e se denominam DAKSHINA TANTRA e quando em comunhão física VAMA TANTRA. O famoso HATHA YOGA significa HA (o SOL, energia física) e THA (a LUA, energia mental) em união, ou seja HATHA (energia espiritual), juntos são um método do sistema de DAKSHINA TANTRA, este é só um exemplo.

Para a prática de VAMA TANTRA um corpo yogui é indispensável e disciplinas de HATHA YOGA são aplicadas para tal. De alguma forma, o que vem a ser uma pequena parte de um ou outro método de VAMA TANTRA ou VAMA MARGA se popularizou vulgarmente como TANTRA, no ocidente. As sessenta e quatro posturas yoguis de união Shiva Shakti não são as únicas disciplinas no TANTRA e muito menos são a sua finalidade, apenas um meio para um fim. O complemento dos pares opostos ocorre silenciosamente em nós mesmos e em comunhão com o todo em um grau crescente de harmonia e complementação em tudo nas nossas vidas.

Exercícios e técnicas são milhares no TANTRA e na YOGA, mas a finalidade é uma só! VAMA quer dizer esquerda - Yin, e DAKSHINA é direita - Yang. VAMA MARGA ou DAKSHINA MARGA, MARGA significa caminho. Em PURNA YOGA e no TANTRA os vários sistemas e métodos são estruturados em dois grupos principais denominados: BAHIRANGA YOGA e ANTARANGA YOGA. São como Shiva e Shakti, BAHIRANGA é “externo”, são as técnicas com o corpo. ANTARANGA quer dizer “interno”, são as práticas internas, ou mentais, emocionais. O complemento de uma com a outra é o lado espiritual, a comunhão perfeita. BAHIRANGA é Shakti e ANTARANGA é Shiva. Evoluir é conquistar o equilíbrio entre as forças opostas, paz interior com paz externa. Realização interna deve ser seguida e complementada com realização externa e vice-versa.

Que são os Chakras?

Os Chakras são a fisiologia do Tantra Yoga, Tantra é uma visão para a expansão e liberação da consciência. O Tantra desenvolveu técnicas para isso. A Yoga significa união: técnicas disciplinares em direção à união. RAS quer dizer, o suco da vida, a celebração da vida, a festividade da vida, a flor e o perfume. Chak-ras são os vórtices de energia (ou sucos da vida)

Isto é Mysterion - Uma Cerimônia Secreta.

Dançar com o divino. Ativar a energia dos chak-ras é ativar o suco. Há basicamente sete chakras ou centros de energia vital no corpo físico. O Tantra tem sete mil anos e recentemente neste século William Reich constatou blocos de energia no corpo que ele chamou de couraças. As couraças existem porque a energia não flui naturalmente. Os chakras como as couraças são centros sensíveis e são blocos de energia localizados em sete pontos.

A ciência moderna diz: Que a matéria analisada é reduzida a partículas de eletricidade, nada substancial permanece, só energia. A matéria não é real, nem para a física, ela é alegoria, trazida a alta velocidade, a energia se condensa como no ventilador, as paletas desaparecem quando em movimento acelerado se unem em uma massa uniforme, surge da circulação. O mesmo acontece com a energia atômica, observam-se os fenômenos devido a uma instabilidade provocada pelo bombardear o núcleo de urânio. O duplo corpo etéreo, é o corpo atômico humano só se percebem efeitos. Além do corpo etéreo está o corpo astral, ainda mais sutil. A ciência ainda não chegou a este nível, mas um dia chegará. Esta energia é subdivisão do éter dividido, partículas mais sutis ainda, tudo é não sólido, na realidade nada é. Tudo parece sólido e mesmo a palavra partícula não é mais usada, usa-se quanta, tudo é energia no universo, tudo são ondas mutáveis em grande movimento.

Onde há incerteza tem que haver consciência, a incerteza de Heisenberg, a observação do mutável, sem possibilidade de detecção de sua velocidade e localização ao mesmo tempo, as probabilidades desta incerteza que é a qualidade da consciência incomum, de um elemento em si. No plano do pensamento, palavras belas produzem ótimas vibrações e esta energia afeta o coração. Palavras são pensamentos que são manifestados. Palavras não manifestas são pensamentos que causam ressonância. E por causa deste fenômeno, pessoas negativas carregam uma vibração similar, como pessoas positivas fazem vibrar em consonância em certos momentos ou ambientes um sentimento de paz e tranqüilidade.

Da mesma forma no sexo, as subpartículas de energia sutis existem, e este fenômeno toca nos corpos sutis. O chakra básico, muladhar está conectado com o corpo físico, o chakra do umbigo – hara está conectado com o corpo etéreo e assim por diante, à medida que há um movimento pleno da sexualidade esta energia atinge os corpos sutis. Uma atitude agressiva e negativa, por outro lado, abusa estes corpos e ao invés de nutri-los suga a sua energia vital. A repressão – supressão do sexo estanca a energia de vida e deprime a pessoa. Sexo mais meditação é o que o Tantra e o Tao representam. O sexo é sagrado em sua essência e uma atitude consciente aplicada a esta energia viva transforma completamente um ser humano.

Há basicamente sete chakras ou centros de energia vital no corpo físico. O Tantra tem sete mil anos e recentemente neste século William Reich constatou blocos de energia no corpo que ele chamou de couraças. As couraças existem porque a energia não flui naturalmente. Os chakras como as couraças são centros sensíveis e são blocos de energia localizados em sete pontos, conforme mostra a lista abaixo:




1. Raiz -Terra (Vida, Paixão, Desejo, Libido, Prazer, Ciúmes, Possessão, Sedução, Medo do Sexo);

2. Hara - Água (Liberação, Transformação, Ressureição, Desapêgo, Risco, Relaxamento, Medo de

Morrer);

3. Plexo - Fogo (Dinheiro, Desejo de Poder, Ambição, Jogo, Esperteza, Carisma, Manipulação);

4. Coração - Ar (Amor, Compaixão, Dor, Entrega, Compreensão, Amizade);

5. Comunicação (Palavra, Informação, Expansão, Fama);

6. Mente (Razão, Lógica, Poder da Mente, Intelecto);

7. Transcendência (Nirvana, Superconsciência, Vazio, Infinito, Eternidade).

O MAPA TÂNTRICO

1.

Adão e Eva se fundiram um no outro

A árvore do conhecimento dual

Yang e Yin o Tao em um giro solto

A transcendência do bem e do mal

2.

O Tantra é a ciência para isto

O que eu e todos querem descobrir

Este é o alvo, enquanto existo;

De que modo eu devo prosseguir?

3.

O primeiro chakra precisa relaxar

O centro sexual está apertado

O nome dele na Índia é muladhar

A sociedade o mantém controlado.

4.

É algo errado liberar esta energia?

A obsessão sexual criou o medo

Que, assim, criou uma tensão fria...

Relaxar, então, é o grande segredo.

5.

O segundo chakra é o centro do ser

Ele se chama swadisthan ou hara

Outra vez o medo, o de morrer...

Relaxar é, também, o que sara.

6.

O terceiro chakra plexo, estômago

Manipura é seu nome indiano

Emoções negativas no seu âmago

Raiva, ciúme... No fundo do pano.

7.

Muitas emoções foram reprimidas

A violência, a ambição... Negadas!

Como então curar estas feridas?

Estas energias devem ser expressas.

8.

Há mil formas de expressão saudáveis

Em ambientes de vivência, seguros.

As energias positivas agradáveis

Vão para cima quebrando muros.

9.

O quarto chakra, o coração

O seu nome é Anahata

A dúvida é sua prisão

Ela é uma coisa inata.

10.

Qualquer dúvida destrói

Racionalismo, ceticismo.

O coração sente, se corrói.

A confiança tira este abismo.

11.

O quinto chakra da garganta

Chama-se na Índia Visudha

Imitação é a coisa que o espanta

Ser original é o que o ajuda.

12.

As artes, a dança, a inventividade,

Tudo isto faz a energia fluir

O que for movido por criatividade

É aonde esta flor irá se abrir.

13.

Então, a energia vai para o sexto

O chakra Ajna é a glândula Pineal

O terceiro olho é o contexto

Inteligência, Intuição, genial!

14.

Bloqueia aí, a mente confusa.

O ego, pensamentos sem pureza,

Que a meditação seja difusa

Ela é a medicina da clareza.

15.

O sétimo chakra, topo da cabeça.

O Sahashar como é conhecido

Chegando aí então floresça.

O Lótus-de-Mil-Pétalas querido.

16.

O ser humano é uma árvore plena

O Muladhar é a sua raiz profunda

O caule – chakras médios em cena

O Sahashar com suas flores – Abunda!


Canção de Goloka*